Fim do Saúde na Praça: população perde acesso à prevenção de doenças e à socialização

Para Eliana Honain, ex-secretária de Saúde, população perde uma política pública fundamental para o cuidado com a saúde e um braço importante do SUS na prevenção de doenças crônicas

Fotógrafo: Divulgação
18/06/2026 - 14h18

Após 25 anos oferecendo exercícios físicos em espaços públicos à população de Araraquara, com a supervisão de profissionais qualificados de educação física, o programa Saúde na Praça acabou.

O fim do projeto, criado pelo ex-prefeito Edinho Silva em 2001, no seu primeiro mandato, foi confirmado nesta semana com a decisão da atual administração municipal de revogar o edital da Prefeitura, que era vinculado à Secretaria Municipal de Esportes e Lazer e que, no final de 2014, último ano da gestão Edinho, atendia mais de 2,5 mil alunos em 89 pontos espalhados pela cidade.

Edinho criou o Saúde na Praça com o objetivo de promover a saúde por meio da prática de esportes, principalmente para aqueles que não têm acesso a profissionais de educação física, academias ou outros locais com supervisão adequada.

Para a ex-secretária municipal de Saúde, Eliana Honain, o encerramento do programa representa uma perda significativa para a população atendida, já que, ao longo dos anos, se consolidou como uma das principais políticas públicas de promoção da saúde e de prevenção de doenças crônicas.

“Para quem participava do programa - e eram milhares de pessoas na nossa gestão - o Saúde na Praça significou melhora da aptidão física e na capacidade funcional, principalmente dos idosos, além da prevenção de doenças crônicas”, avalia Eliana, mencionando o controle de obesidade, hipertensão e diabetes como benefício da participação no Saúde na Praça. “Era uma política pública importante na democratização do acesso ao cuidado com a saúde e, consequentemente, um braço importante do SUS na prevenção de doenças”, acrescentou a ex-secretária de Saúde.

Ela também menciona a importância da iniciativa para a saúde mental dos participantes, já que as praças e centros esportivos funcionavam como importantes polos de convivência e de socialização.


Milhares atendidos

Desde sua implantação, no primeiro mandato do ex-prefeito Edinho, o Saúde na Praça ganhou mais adeptos, cresceu e a prefeitura investiu para atender a demanda espalhada por todas as regiões da cidade.

No final de 2024, quando Edinho Silva deixou a Prefeitura, o programa Saúde na Praça somava 2.561 alunos, que frequentavam o programa em 89 espaços públicos, em diferentes bairros, nas diversas modalidades.

A população contava com profissionais capacitados de educação física que ministravam aulas de ginástica geral, ginástica laboral, ritmos, ginástica artística para idosos, hidroginástica e hidroginástica para idosos, Tai Chi Chuan, yoga, dança de salão, fisioterapia, Lian Gong e natação, no Complexo Aquático da Fonte Luminosa.

O programa também atendia os asilos Vila Vicentina, Lar São Francisco de Assis e Recanto Feliz, as casas de Acolhimento São Pio, o CR Feminino e os Assentamentos Bela Vista e Monte Alegre, além de garantir ginástica laboral aos servidores da Prefeitura Municipal.